"É tudo vaidade!" Diz o Rei Salomão em suas reflexões no Eclesiastes I

ECLESIASTES
OU, O PREGADOR

CAPÍTULO 1


1 Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém:

2 Vaidade de vaidades! diz o pregador, vaidade de vaidades! É tudo vaidade.

3 Que aproveito tem o homem, de todo o seu trabalho, em que ele trabalha debaixo do sol?

4 Uma geração vai, e outra geração vem, porém a aterra para sempre permanece.

5 E nasce o sol, e põe-se o sol, e apressa-se a voltar ao seu lugar de onde nasceu.

6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando, e volta o vento sobre os seus giros.

12 Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.

13 E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com asabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta benfadonha ocupação Deus deu aos filhos dos homens, para nela os exercitar.

16 Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que foram antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.

17 E apliquei o meu coração a entender a sabedoria e o conhecimento, os desvarios e as doidices, e vim a saber que também isso era aflição de espírito.

18 Porque na muita sabedoria há muito desgosto; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em sofrimento.

ANÁLISE

A passagem bíblica de Eclesiastes 1 é uma introdução poderosa para o livro de Eclesiastes e estabelece a temática central do livro: a busca do significado e propósito na vida.

O autor, conhecido como o pregador ou Eclesiastes, começa enfatizando a natureza efêmera e fugaz da existência humana. Ele usa a expressão "Vaidade de vaidades" para transmitir a ideia de que tudo é transitório, vazio e sem valor duradouro. Essa expressão é repetida enfaticamente para ressaltar a mensagem principal.

Em seguida, o pregador questiona o valor do trabalho árduo e dos esforços humanos debaixo do sol. Ele observa que, apesar dos esforços dos indivíduos, uma geração passa e outra vem, mas a terra continua a existir. Essa reflexão serve para destacar a insignificância relativa das realizações humanas diante da imensidão do tempo e da permanência da natureza.

O pregador continua a usar exemplos da natureza para ilustrar sua mensagem. Ele menciona o ciclo diário do sol, o movimento do vento e o fluxo contínuo dos rios em direção ao mar. Esses exemplos enfatizam a constância e repetição dos eventos naturais, independentemente das ações humanas. Novamente, a intenção é mostrar a transitoriedade da vida humana em contraste com a constância da natureza.

Ao afirmar que "nada há de novo debaixo do sol", o pregador enfatiza a sensação de monotonia e repetição na vida. Ele sugere que tudo o que acontece já aconteceu antes e continuará acontecendo no futuro. Essa perspectiva pode ser vista como um lembrete de que, apesar de nossas buscas e realizações, o mundo continua girando e a vida continua em seu curso previsível.

A passagem conclui observando que não há lembrança das coisas que precederam e nem das que estão por vir. Essa afirmação ressalta a efemeridade da vida e a brevidade da memória humana diante da vastidão do tempo.

Em suma, a passagem de Eclesiastes 1 apresenta uma visão filosófica sobre a natureza passageira e vã da existência humana. O pregador convida os leitores a refletirem sobre o significado e propósito de suas vidas diante dessa realidade. O livro de Eclesiastes continua a explorar essas questões, oferecendo uma perspectiva de sabedoria e temor a Deus como caminho para encontrar um propósito mais profundo e uma vida satisfatória.

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