Petistas, bolsonaristas e as Múltiplas Realidades



“James (Willian) fala, portanto, de um ‘senso de realidade’ que pode ser investigado em termos de uma psicologia da crença e da descrença. A fim de libertar essa importante percepção de sua psicologia, nós preferimos falar, em vez de muitos subuniversos da realidade, de províncias finitas de significado, sobre as quais nós podemos dar o acento de realidade. Nós falamos de províncias de significado, e não de subuniversos, porque é o significado de nossas experiências e não a estrutura ontológica dos objetos que constituem a realidade. Por isso, chamamos certo conjunto de nossas experiências de uma província finita de significado se todas elas mostram um estilo cognitivo específico e são - com relação a este estilo - não só consistentes em si, mas também compatíveis entre si”.

Alfred Schutz – Sobre as múltiplas realidades (1945).

 

A sociedade contemporânea é caracterizada pela diversidade de perspectivas e visões de mundo, refletindo em conflitos ideológicos intensos. Um exemplo emblemático desse fenômeno é o conflito entre bolsonaristas e petistas no Brasil. Para analisar esse embate, podemos recorrer à teoria das Múltiplas Realidades em Alfred Schutz para traçar uma hipótese de explicação para as origens sociológicas e fenomenológicas desse conflito.

Conforme a epígrafe acima, haveria para Schutz Múltiplas Realidades como possibilidades cognitivas para o sujeito em sua vida cotidiana. Mas o autor fala dessas Múltiplas Realidades como mundos, e não especificamente sobre grupos. Quero aqui levantar a questão de que os grupos também constituem-se como mundos e criam uma realidade própria para a experiência subjetiva, como no caso de bolsonaristas e petistas.

Os bolsonaristas defendem uma agenda conservadora, destacando a necessidade de ordem e segurança pública, bem como a liberalização da economia. Para eles, o Brasil enfrenta desafios como criminalidade, corrupção e ineficiência estatal. Nessa perspectiva, vêem no ex-presidente Jair Bolsonaro um líder capaz de enfrentar essas questões e promover mudanças significativas. Essa visão de mundo é compartilhada por um grupo de pessoas que se identificam com essas ideias e se mobilizam em torno delas.

Por outro lado, os petistas têm uma visão mais progressista e defendem políticas voltadas para a igualdade social, a justiça e os direitos humanos. Para eles, a desigualdade socioeconômica e a exclusão social são os principais desafios enfrentados pelo Brasil. Veem no Partido dos Trabalhadores uma alternativa para enfrentar essas questões e promover transformações sociais. Assim como os bolsonaristas, os petistas constroem sua própria realidade social, baseada em seus valores e nas experiências coletivas que os levaram a adotar essa perspectiva.

A teoria das Múltiplas Realidades de Schutz é complementada pela compreensão da Fenomenologia Social também trabalhada pelo autor, que enfatiza a importância da subjetividade e da intersubjetividade na construção das realidades sociais. Segundo Schutz, a experiência individual é mediada pelas estruturas e pelos significados compartilhados pelos membros de um grupo social. No conflito entre bolsonaristas e petistas, cada indivíduo vivencia a realidade social de acordo com sua própria subjetividade, mas também é influenciado pelas representações e pelos significados coletivos presentes em seu grupo de pertencimento.

Dessa forma, cada lado do conflito interpreta os eventos de acordo com seus próprios filtros cognitivos e emocionais. As manifestações, os debates políticos e os confrontos entre bolsonaristas e petistas são permeados por uma multiplicidade de perspectivas, sentimentos e motivações. Essa multiplicidade de perspectivas e experiências contribui para a complexidade do conflito entre bolsonaristas e petistas no Brasil.

É importante ressaltar que a teoria das Múltiplas Realidades e a Fenomenologia Social não buscam estabelecer uma hierarquia entre as perspectivas em conflito, mas sim compreender as diferentes formas de construção da realidade e como elas influenciam as interações sociais. Reconhecer a existência dessas múltiplas realidades é fundamental para promover o diálogo e a busca por soluções que considerem as diferentes necessidades e expectativas dos grupos envolvidos. Lembrando que as Múltiplas Realidades das quais fala Schutz referem-se a planos cognitivos específicos como o mundo dos sonhos, das artes, da ciência, infantil, entre outros. São Realidades as quais o sujeito entra em contato subjetivamente por meio de sua consciência, gerando sentidos e vivências nas práticas cotidianas do viver.

Em suma, o conflito entre bolsonaristas e petistas no Brasil representa um exemplo evidente das múltiplas realidades sociais que coexistem em nossa sociedade. Ao reconhecer essa diversidade e promover o diálogo respeitoso, podemos avançar em direção a uma convivência mais harmoniosa, em que as diferenças sejam valorizadas e os conflitos sejam transformados em oportunidades de crescimento e transformação.

OBS: Texto adaptado de um resultado de pesquisa utilizando o ChatGPT. 

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