Os "Atos de fala" de John Searle

Os atos de fala são uma parte central da análise linguística de John Searle.
Ele propõe uma classificação de atos de fala em três categorias principais: atos locucionários, ilocucionários e perlocucionários.

1.
Atos locucionários: São os atos de fala em que uma expressão linguística é usada para transmitir um significado literal.
Por exemplo, a simples pronunciação da frase "O céu está azul" é um ato locucionário, pois consiste em produzir sons que formam as palavras que expressam um significado.

2.
Atos ilocucionários: São os atos de fala em que a expressão linguística é usada para realizar uma ação através da fala.
Essas ações podem incluir pedidos, ordens, promessas, convites, entre outros.
O significado da expressão não é meramente literal, mas envolve a intenção do falante.
Por exemplo, quando alguém diz "Por favor, feche a janela", está realizando um ato ilocucionário de fazer um pedido.

3.
Atos perlocucionários: São os atos de fala em que o objetivo do falante é influenciar as atitudes, emoções ou crenças do ouvinte.
O foco principal não está na produção da fala em si, mas nos efeitos que essa fala tem sobre o ouvinte.
Por exemplo, quando alguém diz "Eu te amo", o objetivo principal é gerar sentimentos de amor no ouvinte.

Essa classificação de Searle é importante porque destaca que a fala não é apenas uma transmissão de informações, mas também uma forma de ação social.
Os atos ilocucionários e perlocucionários têm uma dimensão pragmática que vai além do significado literal das palavras, e as intenções do falante desempenham um papel fundamental na interpretação desses atos de fala.

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