O Contestado entre a Guiana Francesa e o Amapá

A disputa entre a Guiana Francesa e o Amapá teve início no século XIX, quando os dois territórios passaram a reivindicar uma parte comum, conhecida como Contestado.
Nessa época, tanto a França quanto o Brasil ainda eram monarquias, e a negociação entre os dois países se mostrava difícil.

O Tratado de Utrecht, assinado em 1713, foi um acordo que pôs fim à Guerra da Sucessão Espanhola e estabeleceu as fronteiras de diversos territórios europeus e também das colônias na América.
No entanto, o tratado não abordou especificamente a questão do território do Contestado entre a Guiana Francesa e o que viria a ser o estado do Amapá, então Capitania do Cabo Norte, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal. 

Em 1897, já independente, o Brasil decidiu recorrer à arbitragem para resolver a disputa com a França.
O Barão de Rio Branco, então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, teve um papel fundamental na condução das negociações e na busca por uma solução pacífica.
Rio Branco era conhecido por sua habilidade diplomática e tinha como objetivo principal a defesa dos interesses territoriais brasileiros.

Foi então que se firmou um acordo entre as partes envolvidas para a criação de uma Comissão Mista de Arbitragem, responsável por examinar as alegações de ambos os países e apresentar um laudo conclusivo.

Em 1900, a Comissão Mista acordou em recorrer à Suíça para a escolha de um árbitro neutro.
O presidente suíço, Walter Hauser, foi escolhido para realizar o laudo sobre o Contestado.
O Laudo Suíço estabeleceu que o território do Contestado pertencia ao Brasil.
O documento, baseando-se em argumentos históricos, geográficos e jurisprudenciais, decidiu o caso a favor do Brasil.

O Barão de Rio Branco teve um papel importante em todo esse processo, pois conduziu as negociações e garantiu que os interesses nacionais do Brasil fossem protegidos.
Seu trabalho diplomático contribuiu para o desfecho favorável ao Brasil na disputa territorial.

Após o Laudo Suíço, o Brasil e a França reconheceram a decisão e o Contestado passou a ser território brasileiro.
Essa questão ajudou a delimitar as fronteiras entre o Brasil e a Guiana Francesa, fortalecendo a soberania brasileira na região e garantindo uma solução pacífica para o conflito territorial.

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